O adeus de Jack Bauer

“When you first came to CTU…I never thought it was going to be you that was going to cover my back all those years. And I know that everything that you did today was to try to protect me. I know that. Thank you.”
24 Horas foi a primeira série que acompanhei fielmente (junto de Smallville – mas vamos esconder nossos pecados embaixo do tapete, ok?), lá por 2004, quando a Globo exibiu a primeira temporada no mês de janeiro. O horário era meio ingrato, mas pra um estudante que tinha aulas de março a dezembro, era baba. Vibrava com a peripércias de Jack Bauer dublado (por Tata Guarnieri, que fazia muito bem, antes de ser trocado por pedir aumento) na minha TV de 14 polegadas. Me lembro que no dia da season finale, estávamos visitando uns amigos da família, que tinham uma TV de 29. No último ato do episódio, exigi silêncio absoluto, só faltou eu mandar os donos da casa calarem a boca.
E então as trevas. Pra tirar o atraso em relação à exibição americana, a Globo teve a brilhante idéia de exibir o segundo ano nos domingos a noite, durante o ano de 2004. E aqui no RS, a RBS (transmissora do sinal da Globo) ainda exibia DOIS telejornais depois do Fantástico. O episódio começava lá pela 1 da manha. Inviável pra quem acordava às 6 da matina todo santo dia. Um amigo meu até programava o vídeo pra gravar, mas a bagunça que a emissora fez com os episódios (exibindo os 2 primeiros no mesmo dia, cheio de cortes, problemas no sinal da RBS, etc) me fez praticamente desistir da série. Só fui ver a S2 direitinho em DVD, anos depois. Continue lendo este post »
Glee e a Síndrome da Água Molhada
Hoje pela manhã, Thais e Daniel comentavam sobre Glee, que apesar de apreciarem a série, gostariam que os personagens tivessem mais consistência e coerência. Respondi que, pelo menos pra mim, reclamar disso é como achar ruim que a água é molhada. Pra mim, só as piadas, os números musicais inspiradissimos (vozes, coreografias E figurinos – não é pouca merda não) e as atuações (Jane Lynch, Jane Lynch e mais um pessoal aí) já bastam. Daí o Daniel respondeu que se ele quer bons números musicais e boas piadas, ele assite clipe da Lady Gaga no Youtube, ele quer é personagens profundos, discussões filosóficas* e the whole nine yards.
Se é assim, então Glee é um clip da Lady Gaga de 40 minutos, toda semana.
Flashback pra maio do ano passado: quando Glee tava pra começar, com aqueles diversos promos promissores, eu pensava comigo mesmo: “Caralho, isso parece massa. Mas é do Ryan Murphy, vai dar merda”. Murphy, pra quem não sabe é o criador de Nip/Tuck. Nip/Tuck tem um conceito dos mais legais (uma dupla de cirurgiões plásticos sem muitos preceitos éticos se aventurando numa grande cidade onde aparência é mais importante que conteúdo).E foi realmente uma série muito boa por umas duas temporada e meia, quase três. Continue lendo este post »
“It’s not time yet”
Apesar do já clássico “Cada pergunta que eu respondo leva a outra pergunta”, talvez o quote mais significativo do episódio dessa semana de Lost seja o que eu coloquei de título do post (em que eu soltei uma boa risada na hora, a Dani deve ter estranhado). Analisando isoladamente essas duas frases ditas pela personagem da Allison Janney, mais a brilhante (cof cof) justificativa pra ausência de um nome pro Homem de Preto, dá até pra pensar “ah, é eles tirando com a nossa cara, já que DUH!, não tem como eles satisfazerem tantas espectativas”.
O problema é que eu não senti o mesmo tom nos longos 42 minutos do episódio dessa semana.
Foi um episódio de roteiro rasteiríssimo, medíocre mesmo, que só sai do lugar comum por que eles tiveram a idéia de trazer a monstra da Allison Janney, que é uma daquelas atrizes que dá credibilidade a qualquer tipo de material. Mommy issues, bla-bla-bla, brother issues, bla-bla-bla, preto-branco, luz brilhante, whatever. Continue lendo este post »
Comentários sobre Buffy que ficaram grandes demais pro twitter (2)
(Tudo revisto, etc).
5×10 – Into the Woods - **/**** – Viva, ele foi embora! Próximo. Mas a participação do Xander é massa.
5×11 – Triangle – **/**** – HELLOOOOO! GAY NOW!
5×12 – Checkpoint – ***/**** - Vale pelo discurso da Buffy no final e pela revelação feita por Quentin.
5×13 – Blood Ties - ***/**** – O Spike dá uma nos dedos da Buffy que é a coisa mais linda.
5×14 – Crush - ***/**** – Não tão bom quanto Fool For Love, mas como é bom ver que eles conseguiram encaixar o Spike de maneira mais eficiente na narrativa, em comparação com a temporada anterior. O mesmo vale pro Giles, que deixou de ser um tiozinho aposentado.
5×15 – I Was Made to Love You - ***/**** – sim, é um filler sem vergonha. Mas eu acho que tem uma sensibilidade tocante.
5×16 – The Body – ************/**** – já disseram tudo sobre esse aqui. Gostaria de agredecer o pessoal que ripou o episódio por manter a faixa de comentário! É ótimo ouvir o Joss falando sobre a obra-prima dele, não se trata de uma explicação sobre (já que o episódio é bem literal), mas sim do fluxo de pensamento do cara, das dificuldades em escrever/filmar tudo, etc.
5×17 – Forever - ***/**** – se The Body é, bem, The Body, esse aqui é um episódio mais tradicional sobre a dor de perder alguém. Sequência final entre Buffy e Dawn é de escorrer lagriminha.
5×18 – Intervention - ***/**** – “His hair grows straight up and he’s bloody stupid.” – You gotta love Spike.
5×19 – Tough Love – ***/**** – Dark Willow, yeah! Pelo menos por enquanto…
5×20 – Spiral - ***/**** – Fui só eu que lembrei de Monty Python quando viu aquele monte de homem vestido de cavaleiro medieval? NI!
5×21 – The Weight of the World – cochilei nesse aqui, mas é bom e tal. Efeito do chá de camomila.
5×22 – The Gift – ****/**** – bom, tem a troca de diálogos mais doce/melancólica de todos os tempos: “Garotas inteligentes são sensuais!” “Pena você não ter pensado assim na décima série”. Snif, snif. Deve ter doído ainda mais pra quem passou anos vendo essa série, e não para ogros como eu que consomem tudo em dois meses. Mas tem muito mais: a cold open que parece uma cena extraída do piloto, mas que é elegantemente encaixada no episódio, Buffy e Giles discutindo a quantidade de apocalypses que eles já impediram, e Spike (ah, Spike). De partir o coração ele vendo o corpo da Buffy no final. E vai ter culhão pra terminar uma série assim lá na casa do baralho. Digo mais: um dos poucos episódios que eu posso dizer com propriedade que melhoram numa revisitada.
Comentários sobre Buffy que ficaram grandes demais pro twitter
/5×06 – Family – ***/****/ – Aqui nós temos um pouco da visão (que não é lá das mais originais, admito) de Whedon sobre a família: aqueles que nós escolhemos podem ser muito mais importante do que os laços de sangue. Isso também se nota em Firefly/Serenity e nos episódios finais de Dollhouse, o companheirismo dessas pessoas é o mais puro amor fraterno.
/5×07 – Fool for Love - ***/****/ – além do já famoso roteiro/argumento, com seus diálogos e círculos narrativos formidáveis (“You are beneath me”, etc) e da interpretação tocante de Marsters (a Dani chorou no final desse aqui e não no anterior), tem um outro aspecto gritante (que ela me mostrou): a sequência do metrô/fundos do Bronze é brilhantemente montada.
/5×08 – Shadow – **/****/ – a explicação pro nome do episódio é a última coisa que você esperaria de uma série de fantasia. Tem também o Riley indo pro lado negro da força, mas quem ainda se importa com ele?
/5×09 - Listening to Fear/ – **/**** – nenhum episódio é mais X-Files que esse: citaram até Tungunska (pro delírio de certas pessoas). Mas meio bobinho, overall. (ver todo o arco envolvendo a doença da Joyce é dar aquela dorzinha do coração, mas por mais sensível que seja a abordagem, é sempre um golpe baixo com a audiência – tipo a demência da vó do Matt em Friday Night Lights).
Ainda Buffy
Cara, como é bom rever um programa como esse que tem tantas camadas depois de algum tempo. Tipo, três anos atrás o meu ouvido não era tão bom pra inglês como é hoje, e eu perdi sacadas ótimas como o Spike dizendo que vai beber um ‘pint of blood’, o tipo de piada que é intraduzível.
Cheguei também na parte da série em que já havia começado a lançar as notas no finado blog. E na época eu ainda era mais chato. Daonde que The Wish merecia só **?
E a Dani viciou completamente. Nsse último fim de semana foram 16 episódiós. Ela deixou pra trás até o nascimento do neném do Jim e da Pam.
Buffy from the beginning…again
Daí que comecei a rever Buffy (dessa vez com a Dani ao lado).
A primeira temporada é bacaninha, mas nada demais (é Joss Whedon empilhando os tijolinhos, delimitando os personagens, yada yada yada). Mas na segunda o bicho começa a pegar (só lembrando que eu considero a série uma escadinha até o sexto ano).
O episódio que nós vimos por último, School Hard dá pra ser considerado o ‘começo definitivo’ da série. É a apresentação do personagem mais legal de todos. Spike é o exemplar perfeito de personagem Whedoniano. Anti-herói (ou por enquanto, vilão), mas com muita graça e tiradas geniais, sem contar o background dele que iremos descobrindo aos poucos.
Tem como não ouvir “You were my Yoda!” e não cair na gargalhada? E o que ele faz na última cena do episódio?
Miacabo.
#01 Battlestar Galactica (Ronald D. Moore, Sci-Fi, 2003-2009)
(alguém achava que seria alguma outra coisa, tipo Smallville? HAHAHAHA)
Mas primeiro, alguns recados: essa lista foi feita de forma bem arbitrária, tem uma ou outra série (Buffy, The Office) que subiriam algumas posições se eu reescrevesse a coisa toda. Mas me manterei fiel à relação original.
E mais (se bem que isso é bem óbvio): não existe grandes diferenças entre os nomes da lista. É seguro que eu considero Lost um pouco superior a The Shield. Mas entre séries que estão no mesmo pelotão? Nem perca tempo questionando meus motivos, foi tudo no canetaço.
Em frente.
Uns 98% dos programas que eu assisto, é via indicação (geralmente via as mesmas figurinhas). Porém, nos idos de 2006, eu vasculhava um desses fóruns de obtenção de conteúdo audiovisual, quando vi um tópico com aquele nome pomposo. Nunca tinha lido nada sobre (eu ainda tava na esquema escola, cinema, clube, televisão Lost-24 Horas- Smallville).
Será que tinha a ver com Jornada nas Estrelas? (Na verdade até tinha, mas só fui ler sobre os roteiristas meses depois). Resolvi pegar o piloto, um catatau de três horas de duração.
Episódio vai, episódio vem, e aqui estamos nós. Continue lendo este post »
#02 The West Wing (Aaron Sorkin, NBC, 1999-2006)
“Gratias tibi ago, domine. Yes, I lied. It was a sin. I’ve committed many sins. Have I displeased you, you feckless thug? 3.8 million new jobs, that wasn’t good? Bailed out Mexico, increased foreign trade, 30 million new acres of land for conservation, put Mendoza on the bench, we’re not fighting a war, I’ve raised three children… That’s not enough to buy me out of the doghouse? Haec credam a deo pio? A deo iusto? A deo scito? Cruciatus in crucem! Tuus in terra servus nuntius fui officium perfeci. Cruciatus in crucem. Eas in crucem! (pause) You get Hoynes.”
(porque não copiar a citação dos colegas é tudo nessa vida).
(e apesar do Sorkin ser Deus, tem umas coisas muito legais nos três últimos anos, como as escritas pela Debora Cahn – love her, love her shoes.)
#3 In Treatment (Rodrigo Garcia, HBO, 2008-)
Sempre admirei a admiração (fuó-fuó) que a Fer tem/tinha por House. Mais do que gostar do personagem e dos casos, a série realmente teve peso na vida dela, ajudando-a em períodos importantes, ao ponto dela chegar a tatuar a tagline da série no braço. E quando ela começou com suas rants enquanto o programa degringolava, era mais do uma crítica chata, mas sim alguém que perdeu uma parte relevante de sua vida até aquele momento
O mais próximo dessa relação emocional que eu tive com uma série foi com In Treatment.
Ao contrário da Fer, eu era duro a ponto de não ter grana para sessões de análise, então a próprio programa me serviu como divã (vantagens da estrutura do show). Não posso dizer que algum problema íntimo meu tenha sido discutido de forma literal (talvez um pouco de daddy issues, mas todos os personagens as tem – o que deve significa alguma coisa). Continue lendo este post »


