Game of Thrones, uma adaptação improvável

Jean Reno dos pobres, interprete de um dos meus personagens secundários favoritos da série.
Mesmo que Game of Thrones não seja uma das minhas favoritas, ela tem uma história muito bacana.
George R. R. Martin, pra quem não sabe, já foi roteirista de TV nos anos 80, onde trabalhou em programas como A Bela e A Fera e Além da Imaginação. Aparentemente desiludido com Hollywood, ele decide se dedicar exclusivamente á literatura, onde seu principal trabalho, a série épica A Song of Ice and Fire parece quase uma resposta desaforada a seus dias dedicados à TV. Com suas dezenas de cenários e personagens, seu forte teor de intriga política e sexo e nudez a dar com o pau (rimshot), a obra parece berrar INFILMÁVEL aos quatro ventos.
Nesse meio tempo, a HBO procurava a tempo uma série épica para chamar de sua. Tentou com Roma, mas mesmo que tivessem valores de produção de primeira linha, o resultado final raramente empolgava. Poderia até ser citada com uma das 5 ou 10 melhores séries de determinado ano, mas nunca era A melhor do ano. O mesmo se reflete nas premiações, algumas indicações minguadas (geralmente em categorias técnicas), mas nada maior do que isso. E dado que esses indicadores são tão importante pra emissora quanto audiência*, o cancelamento de Rome depois de duas temporadas foi natural.
*fator que explica The Wire ter durado 5 anos por exemplo – umas 24 pessoas assistiam cada episódio – mas todas elas diziam se tratar DA MELHOR COISA DE TODOS OS TEMPOS – como a HBO poderia cancelar um show desses?
(arrisco dizer que o problema de Rome estava atrás das câmeras. O criador – Bruno Heller – foi fazer The Mentalist logo após. Isso explica muita coisa).
Eis que a emissora decide bancar a extensa obra de Martin, se enveredando pro terreno da fantasia. Se trata de um trabalho de adaptação monstruoso, mesmo para aqueles que como eu não leram os originais (eles estão me olhando ali da estante, esperando eu tomar coragem). Como fazer cada um daqueles calhamaços caber em apenas 10 horas? (em 2013 eles jogaram a toalha, a terceira temporada vai cobrir apenas dois terços de A Tormenta das Espadas).
Mas a julgar pelo que D.B Weiss e David Benioff nos apresentam semanalmente, só tenho motivos para acreditar que o original seja muito bom. Bebendo na fonte de Tolkien e outros grandes, A Song of Ice and Fire tem elementos muito superiores a outros trabalhos do gênero, como o fator político (apesar de não possuir ALEGORIAS como o trabalho de um Ronald D. Moore , o intrincada guerra dos tronos é bem bolada) , além da natureza prafrentex da coisa toda (cite o nome de três personagens femininas fortes de O Senhor dos Anéis – pois é).
Ah, e o tema de abertura é ótimo.
Os indicados ao Hugo Awards

Cabum!
Em tempos onde os indicados e vencedores do Oscar e do Emmy geram mais indignação do que qualquer coisa, uma das minhas premiações prediletas é Hugo Awards, talvez o prêmio mais importante dentro dos gêneros da fantasia e da ficção científica. Dentre as categorias, as que mais interessam este blogueiro são as de Dramatic Presentation, que em 2003 foi desmembrada em short form (videos da internet e episódios de série) e long form (basicamente filmes, mas ano passado o prêmio foi pra primeira temporada de Game of Thrones).
É um dos prêmios mais democráticos que existem, pois não importa muito a origem do candidato (ano passado eles indicaram Remedial Chaos Theory, olha que massa), o que importa é que ele seja um bom texto. E como não gostar de uma premiação em que os ‘suspeitos usuais’ incluem Steven Moffat, Joss Whedon e Ronald D. Moore?
Vamos dar uma olhada nos indicados desse ano:
long form
The Avengers/Cabin in The Woods/The Hobbit/The Hunger Games/Looper
Os dois primeiros são as esperadas indicações de Joss Whedon. Vingadores é o filme de superheróis aclamado pela crítica que geralmente é indicado. E Cabin é um artigo raro, filme de terror com cérebro. The Hobbit é retorno triunfal da terra-média na categoria, já que os três Senhores dos Anéis foram vencedores em seus respectivos anos (embora eu aposte que esse aqui não tenha a mesma sorte). The Hunger Games é o filme-adaptado-de-best-seller-que-até-que-não-foi-tão-ruim. E Looper é o candidato indie. Porém, não se trata de zebra (o ótimo Moon venceu em 2010).
short form
Doctor Who: “Asylum of the Daleks”/ Doctor Who: “The Angels Take Manhattan” /Doctor Who: “The Snowmen/ Fringe: “Letters of Transit” /Game of Thrones: “Blackwater
Embora as 22 indicações (!) que a série teve desde 2005 seja o atestado de que Doctor Who é um dos melhores textos de ficção científica dos últimos anos, acho essas três indicações um exagero. Não sou dos maiores fãs de nenhum dos episódios (OK, talvez tenha escorrido uma lagriminha no final de Angels, mas só, eu juro!). Acredito que a chance de vote-split esse ano seja grande. Sociedades futuristas distópicas com governos opressores talvez seja o sub-gênero mais baity numa premiação de ficção científica (vide Jogos Vorazes), o que explica a indicação de Letters of Transit, embora eu não tenha achado o episódio (na verdade, as últimas duas temporadas inteiras de Fringe) grande coisa. Acredito que o favorito esse ano seja Blackwater, episódio de Game of Thrones (uma preferida da premiação) que lembra muito Senhor dos Anéis. Mais isca que isso só se o rei de Westeros fosse um crápula. Oh, wait…
Doctor Who 7.5 (ou: será que encontramos o sucessor de Moffat?)

Well, I brought something for you. This. The most important leaf in human history. THE most important leaf in human history. It’s full of stories, full of history. And full of a future that never got lived. Days that should have been that never were. Passed onto me.
Existem duas séries dentro de Doctor Who. Tem aquela dos episódios do Steven Moffat (e de alguns guest writers iluminados como Richard Curtis e Neil Gaiman), cheia de truques, reviravoltas e diálogos cativantes e a outra, que é a que vemos mais frequentemente, onde os roteiristas ‘operários’ se viram como podem, já que o orçamento desses episódio geralmente são menores e, bem, eles não têm o talento do Moffat.
E foi assim que comecei o episódio dessa semana, escrito por Neil Cross, escritor de livros policiais e criador de Luther. Se nem o Mathew Grahan (criador de Life On Mars, uma série muito melhor) conseguiu fazer algo decente com o material (sério que aquela história dele na temporada anterior precisava ser um episódio duplo?), minhas esperanças não estavam lá muito altas.
Cara, como eu estava errado. Embora o enredo não tenha tido o punch que estamos acostumados nos melhores episódios da série, os diálogos e o desenvolvimento da dupla principal compensaram. Destaque pro discurso do Doutor e pro momento em que Clara entrega seu bem mais precioso ao monstro da semana (citado ali em cima).
Ouso dizer que quando o Moffat quiser pegar o boné e sair, Neil Cross poderia ser um ótimo substituto*. (Ou não, já que ele terá outro episódio daqui a duas semanas e ele pode ser uma porcaria). Mas as vezes precisamos acreditar.
*Neil Cross como o próximo head writer de Doctor Who abre outra possibilidade interessantíssima: Idris Elba como o décimo segundo Doutor.
As duas séries do momento
(sem fotinhas hoje)
Você sabia que os criadores de Homeland eram roteiristas de 24 Horas? É quase incrível isso, tamanha a diferença entre as séries.
24 Horas só queria saber de ação-ação-ação. Reviravoltas, explosões, etc. Pra que desenvolvimento e arcos para os personagens né (em plena última temporada, tivemos que engolir aquela personagem da Katee Sackhoff). Apesar da série ter tido uns seis presidentes diferentes, o discurso político (com exceção da segunda e da quinta temporada) era pueril. Ora tinhamos Kiefer Sutherland torturando pessoas pra conseguir informações, ora tinhamos presidentes republicamos pintados como vilões. Em resumo, uma série bem pra adolescente. Tanto que quando vejo barbado idolatrando (como vi num famoso podcast dia desses), já imagino que a idade mental do pessoal não deve chegar nos 20 anos.
Homeland é o inverso. Uma série com timing. Que as pessoas refletem, conversam. Com arcos e personagem com camadas. Com um discurso político relevante. O mais próximo de um vilão que existe seria o vice-presidente, e mesmo ele é (1) uma pessoa simpática em determinados momentos e (2) seus atos hediondos não parecem muito piores do que suas contrapartes do mundo real. Uma série que leva suas reviravoltas a sério (em 24 Horas, Jack Bauer teria perdido o cartão de memória com a confissão do Nick – e passaria meia temporada procurando).
Uma herdeira de 24 Horas pode muito bem ser The Walking Dead. Nessa terceira temporada eles abraçaram de vez o jeito Jack Bauer de ser. Desistiram de tentar aprofundar os personagens e estão interessados em perseguições, emboscadas e mortes inesperadas de personagens. Empolgante, mas esquecível.
Os novos filhos de Sorkin e Palladino
Aaron Sorkin e Amy Sherman-Palladino são dois autores que apesar de não trabalharem necessariamente com um mesmo estilo ou tom, possuem algumas características semelhantes. Ambos adoram diálogos rápidos, ambos tiveram séries de grande sucesso na década passada (séries essas que ambos abandonaram durante o andamento) e ambos tiverem novas séries que duraram pouco e que foram defenestradas por público e crítica.
E ambos estão de volta na summer season com programas que tentam evocar os melhores momentos de suas respectivas carreiras.
Depois do fiasco de The Return of Jezebel James (essa eu acho que nem o @semionato gostou, rerere), Amy e seu marido tentaram evocar ao máximo seu maior sucesso. Apesar da Paradise de Bunheads não ter a mística de Stars Hollow, as duas poderiam ser muito bem cidades irmãs. Ambas possuem comerciantes/prestadores de serviço com personalidade bem colorida, além de uma trilha sonora quase idêntica (com direito a la-la-las e trovadores). Amy ainda se encarregou de colocar vários ex-integrantes de Gilmore Girls em participações especiais (Sean Gunn, Todd Lowe, Rose Abdoo), sem falar na poderosa Kelly Bishop que assume um lugar ainda mais central do que ela tinha na outra série.
E pras atrizes que ela não pôde reprisar, a produtora se encarregou de encontrar reposições que lembram muito as originais. Sutton Foster é prima-irmã de Lauren Graham (com o plus de saber cantar e dançar). E vai dizer que a Sasha nãose parece a Alexis Bledel e que a mãe da Boo não lembra um pouco a Melissa McCarthy?
(For those of you who are keeping score at home: Laurem Grahan, zero Emmys; Melissa McCarthy, one). Continue lendo este post »
#sixseasonsandamovie

A TV é uma mídia de roteiristas. Conheço uns cinéfilos chatos que, inclusive, desprezam a telinha porque não são os diretores que dão as cartas. Claro, há diretores habilidosos em determinados estilos que deixam a sua marca (Thomas Schlamme, James Burrows, etc). Mas se você ver alguém dizendo que Boardwalk Empire é ‘a série do Scorsese’, não dê bola. Embora o diretor do piloto de um show seja o responsável por criar toda a estética da coisa, BE é um produto da cabeça do Terrence Winter.
O roteirista que comanda uma série (showrunner, para os íntimos) é o cara que comanda a mesa de roteiristas, que revisa todos os roteiros, e embora ele geralmente não seja diretor, é quem comanda a ilha de edição (ou seja, ele incorpora muitas das funções que um diretor no cinema).
E assim como os melhores diretores (tipo o Scorsese), os melhores showrunners tem uma voz. É possível perceber que aquele filme ou episódio é produto daquela pessoa. O nível de controle pode variar (Aaron Sorkin e David E. Kelley reescrevem todos os episódios de suas séries quando o draft inicial é feito por outro escritor), outros gostam mais de explorar as individualidades de seu staff (Ronald D. Moore, Joss Whedon).
Porém quando um showrunner autoral deixa o cargo (geralmente por que seus egos, semelhantes a suas contrapartes cinematográficos, são bem inflados), o choque é sentido (West Wing demorou pelo menos uma temporada pra se reerguer, embora nunca tenha voltado a forma dos primeiros anos; depois que Whedon deixou o dia-a-dia de Buffy, o tom da série mudou no sexto ano, apesar de boa parte do staff ter permanecido). Nesses casos, o estúdio/emissora procura deixar alguém que já era do staff tomando conta, para que a continuidade seja mantida. Continue lendo este post »
A Vingança de Joss Whedon

Joss Whedon conversando no set com sua musa Sarah Michel Scarlett Johansson
Porque raios o criador de Buffy, a Caça Vampiros é uma escolha apropriada para dirigir um filme como Os Vingadores? Drew McWeeny tem uma ótima opinião sobre o assunto:
“When Joss Whedon was producing “Buffy The Vampire Slayer” and “Angel,” I never would have called them out as rehearsals for eventually making “The Avengers,” but looking at this film now, with the hindsight of how those shows played out, it’s pretty obvious. Each season of “Buffy” was about introducing a new Big Bad, then assembling the team needed to defeat the villain and testing that team’s integrity, putting personal pressure of each of them in an effort to find their weaknesses. Eventually, each season would build to a genuinely world-threatening situation, and it would take great personal sacrifice and difficulty for good to save the day. “The Avengers” is built like an entire season of one of his shows, but in two-and-a-half hours and with a budget that he could have never dreamed of during the early days of ‘Buffy.’ “
Mas mesmo esse comentário, que é o melhor que li sobre o filme nas internets dá conta do acerto que foi trazer Whedon para esse projeto.
Joss, aquele cara legal, é um puta multimídia. Além de seriados, criou HQs (algumas baseadas nas suas próprias criações para a TV, além de arcos elogiadíssimos para a própria Marvel (Astonishing X-Men), produziu minisséries para Internet (Laundry day/See you there/Under things/Tumbling) e andou se aventurando inclusive pelo cinema (Firefly/Serenity é o atestado de que ele teria capacidade de produzir filmes de ação com muitos personagens).
*aquele troféu super legal de ficção científica que na categoria short-form já premiou Steven Moffat, Ronald D. Moore, e que esse ano pode ir pra Dan Harmon e cia (por Remedial Chaos Theory). Enfim, só a nata.
Mas e o filme dos Vingadores, é bom? É ótimo.
Sobre o final de Chuck

Pense nas grandes séries de todos os tempos e em como elas acabaram. The Wire, Sopranos, Lost (é, eu sei), 24 Horas (é, eu sei – parte 2), Battlestar Galactica, The Shield, Six Feet Under, etc etc. Todas elas, mesmo as que deram um destino menos desgraçado que a média para os seus personagens, terminaram com uma nota agridoce (algum personagem importante morre no último episódio, etc). É justamente esse tipo de coragem que coloca a TV americana acima do cinema comercial de Hollywood, como já cansei de discutir nesse espaço.
Porém, conforme o final de Chuck se aproximava, eu fui temendo algo na linha do ‘felizes para sempre’, já que era bem óbvio que eles não desmanchariam nenhum casal, que juntariam quem estivesse solteiro e que definitivamente não matariam mais ninguém. Como sair dessa sinuca e dar um final diferente? Tudo bem que a série não tá no panteão das citadas no parágrafo acima, mas a qualidade apresentada em outros tempos (2a e 3a temporadas com muitos lampejos de brilhantismo) me fez esperar algo diferente.
A solução (fazer com que Sarah baixasse o Intersect e tivesse um piripaque no cérebro) não é nada original (parece consenso que a criatividade dos roteiristas de Chuck acabou pelos idos de 2010), mas foi o jeito encontrado pra dar um saborzinho diferente pra esses episódios finais (e aí, o Chuck vai conseguir com que ela se apaixone por ele novamente? Jamais saberemos, mas a expectativa mantém nossos corações aquecidos). Continue lendo este post »
Top 11 séries de 2011
Nota: ainda não assisti Life’s Too Short, Homeland e Boardwalk Empire. Game of Thrones e The Walking Dead? Não, obrigado. Mesma coisa pra Sons of Anarchy (essa mais pelo fato do Kurt Sutter ser um escroto, mas a terceira temporada não ajudou muito). Friday Night Lights quase entrou, assim como Fringe.
11 – Futurama (Comedy Central) – não está recebendo toda a atenção que merecia. Mas depois que a animação ressuscitou dos mortos na TV fechada, os episódios se tornaram mais edgy e muito mais referenciais. Case in point: a finale dessa temporada, que contou três histórias com estéticas diferentes: desenho animado dos anos 30, anime futurista (é, Community não inventou a roda) e videogame de baixa resolução (tipo Atari). Estripulias como essa tendem a ter maior aceitação em canais pagos (case in point: Community).
10 – Happy Endings (ABC) – filho direto de Friends e How I Met Your Mother (quando esta ainda era assistível), HE não se prende tanto nas travessuras narrativas da segunda, mas sim pelo texto afiadíssimo (quem não tem pelo menos um nivel intermediário de inglês e de cultura geral ianque perde uma fatia gorda das piadas) e pelo elenco que sabe o que está fazendo. Quem diria que a Kim Bauer seria uma ótima atriz de comédia?
09 – Justified (FX) – sabe quando determinada série faz o pulo do gato, quando passa de programa bacaninha para algo obrigatório? Foi o que aconteceu no segundo ano de Justified. Os episódios isolados que não eram assim tão legais saíram fora, e fomos introduzidos a arcos relevantes sobre Raylan Givens, Boyd Crowder e a sensacional Mag Bennet (divinamente interpretada por Margo Martindale).
08 – Doctor Who (BBC) – Steven Moffat é o melhor roteirista de todos os tempos do último ano. O problema é que ele não escreve todos os episódios. A trama e as soluções apresentadas nos seus episódios (principalmente na premiere dupla e em Let’s Kill Hitler, meus prediletos) são dignas de aplausos, mas todos os outros episódios (com exceção de The Doctor’s Wife) são decepcionantes em maior ou menor grau (The Girl Who Waited, por exemplo, seria fatalmente uma obra-prima se escrita por Moffat).
07- Louie (FX) – essa entra na mesma categoria de Justified. Se a primeira temporada era uma sucessão de esquetes e stand-ups com uma ou outra reflexão mais profunda, agora o buraco e mais embaixo. Louie se torna um personagem cada vez mais humano (e f#dido, porque não dizer) e os temas abordados se tornam cada vez mais complexos. Alguns dos tópicos: discussão de plágio e relação com outros comediantes num episodio pra lá de metalingüístico; é necessário vender a alma para ser bem sucedido? – e, é claro – como pequenas aves poderiam evitar conflitos internacionais. Ah, e as partes engraçadas estão engraçadas como nunca, como bem comprova o debate sobre a validade da masturbação e a encenação do famoso bit dele sobre o bag of dic#s.
06 – Treme (HBO) – não é uma experiência transcendental como The Wire, isso é certo. Mas mesmo um programa menor de David Simon tem o seu valor. As discussões sobre as conseqüências políticas e econômicas do pós-Katrina estão cada vez mais fortes (e tivemos um pequeno vislumbre do que espera a cidade e a série depois que o derramamento de óleo da BP chegar). O arco envolvendo a personagem da Khandi Alexander é de cortar o coração. E como não poderia deixar de ser, temos a famosa morte anual no episódio escrito por George Pelecanos (o cara de pau chegou a dizer em entrevista que não sente prazer nenhum em matar personagens – SEI).
05 – The Closer (TNT) – seria o melhor procedural de todos os tempos? Olha, chegar no oitavo ano soltando fogo pelas ventas não é pra qualquer um. O elenco está cada vez mais afiado. E embora o canal não seja lá muito dado a inovações do formato, os roteiristas se esforçam. O episodio anual centrado em Flynn e Provenza (geralmente escrito por Adam Belanoff) é das coisas mais engraçadas que você verá em qualquer seriado. E nesse oitavo ano conseguiram emplacar até um arco que culminará (infelizmente) com a saída de Brenda e o fim da serie. Ela e Fritzi (tem casal mais fofo que eles?) farão falta.
04 – Parks and Recreation (NBC) – nos últimos meses, tem rodado a internet a informação de que duas series seriam as inspirações principais da P & R: Cheers (uma favorita pessoal do showrunner Michael Schur) pela maneira em que o micro-universo do programa é inteligente e cativante, e The Simpsons, por expandir esse universo em um organismo vivo e vibrante. Como fã desses dois programas (mais do primeiro, na verdade), posso dizer que se trata do maior elogio que o ‘spin-off’ de The Office poderia ganhar.
03 – The Good Wife (CBS) – eu tenho um post engatilhado sobre como as discussões da série são relevantes no mundo globalizado atual, rerere. Mas enfim, por alguma razão que não consigo verbalizar, é muito bom ver uma serie jurídica que tenha verossimilhança (esqueça os discursos geniais – e improváveis – de Alan Shore). Mas o que mais me encanta no melhor drama de TV aberta desde Lost é a maneira com ela constrói tramas e subramas que conseguem encaixar harmoniosamente suas DEZENAS de personagens recorrentes. E tem Eli Gold, claro. Embora nesse terceiro ano ele não esteja tão genial quanto outrora.
02 – Breaking Bad (AMC) – a obra de arte idealizada por Vince Gilligan atingiu níveis de tensão e dramaticidade poucas vezes vistas na historia da TV. Gus se tornou um vilão memorável (praticamente um Terminator, a julgar pela última cena dele) e seu jogo de gato e rato com Walt deixou todo mundo sentado na beira do sofá. Felizmente os produtores acertaram uma temporada final que explorara o final dessa jornada, que desconfio que não nada feliz para a maioria dos protagonistas.
01 – Community (NBC) – estrutural e esteticamente, poucas obras são tão complexas quanto a criação de Dan Harmon. São poucos os que usam tão bem os elementos narrativos que Community usa para contar suas historias (realidades paralelas, partidas de RPG, animações de massinha, números musicais, etc). Mas quais obras usam essas gimmicks para contar histórias tão relevantes e tocantes sobre seus personagens? É isso que coloca Community num patamar mais elevado que 95,6% dos programas do gênero. E é justamente essa riqueza que será o beijo da morte do show, por mais presunçoso que seja dizer isso.



