#07 Extras (Ricky Gervais e Stephen Merchant, BBC-HBO, 2005-2007)
HA, por essa vocês não esperavam, hein?
Gervais e Merchant estão para os anos 2000, assim como Jerry Seinfeld e Larry David estão para a década de 90.
OK, os americanos tiverem 180 episódios de Seinfeld para fazer tudo o que fizerem, enquanto que somando The Office, Extras, e seus respectivos especias, mal chegamos a 30 ‘meia-horas’. Mas o que eles fizeram nesse pequeno universo não foi pouca merda não.
Seu primeiro programa redefiniu as workplace comedies, pra logo em seguida virar de cabeça pra baixo a maioria das convenções que os americanos tinham de sitcom (e eu prometo nunca mais falar em como The Office descobriu a cura do câncer).
E então ele se tornou um astro, incluindo aí um dos símbolos máximos do estrelato norte-americano – O Globo de Ouro – prêmio que não raro é dado para pessoas jovens e bonitas ao invés daqueles que realmente tiveram o melhor desempenho do ano anterior.
Ou seja, Ricky Gervais virou pop.
E diga-se de passagem, ele lidou muito bem com o novo status. Ele só fez uma aparição em seriado gringo (Alias - alguém se lembra?), produziu o famoso remake de TO (que acabou de fechar cem episódios – ou seja, ele não precisa mais trabalhar na vida) e seu primeiro filme como diretor só foi lançado no ano passado.
Mas mesmo assim, não é de se estranhar que alguém com a inteligência dele seja capaz de fazer uma ou duas observações sobre o show-biz. E foi assim que nasceu Extras – a história de dois amigos que trabalham como figurantes em filmes protagonizados por celebridades hollywoodianas.
A primeira temporada teve um escopo mais limitado – a história gira basicamente nas tentativas do protagonista (Gervais) em ter sua sitcom produzida, enquanto contracenava ao lado de sua colega (Jenses) em filmes de pistolões do Hollywood. A genialidade do texto está justamento em produzir caricaturas dos atores que soam muito reais, além de serem engraçadas ao ponto de rolar de rir (literalmente, em algumas vezes). O caso mais famoso foi Kate Winslet ganhar um Oscar justamento pelo gênero de filme (drama ambientado na 2a guerra) que ela discutiu com Gervais em seu episódio. Mas tem outros casos, como as aspirações Shakespearianas de Patrick Stewart, ou Ben Stiller e seu filme de guerra (será que foi daí que ele teve a idéia de Trovão Tropical?)
E daí na segunda temporada a série do personagem dele finalmente sai do papel. Eu na minha inocência pensei se tratar na suposta The Office, o que tornaria Extras auto-biográfica. Mas Gervais/Merchant foram mais espertos que isso e transformaram When the Whistle Blows! numa daquelas baboseiras que inexplicavelmente fazem sucesso em qualquer lugar do mundo (é só ligar a TV domingo ao meio-dia que você vai entender).
O dilema está posto: vale a pena ’se vender’ pra alcançar os quinze minutos de fama ou o certo é manter a integridade da sua visão artística até o fim? O tema não é original, mas eu não me lembro de nenhuma série que tenha lidado tão bem com os dilemas trazidos pelo estrelato (quem falar em Entourage leva um tapa na orelha).
E pra encerrar com chave de ouro, o especial de natal, em que Gervais sai do personagem e faz o seu famoso discurso sobre a fama:
And that’s why you always leave a not…digo, e é por isso que Extras é a 7a melhor série da década pra mim.
Leia também:
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Série muito foda, poucas vezes gargalhei tanto como em Extras. Não acredito que tu vai colocar 30 Rock na frente dessa. Nada contra a série da Tina Fey, mas pô, Ricky Gervais é Deus.
E escuta aqui, vai ter Freaks and Geeks nessa lista ainda?
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Freak and Geeks é de 99, não é?? e como infelizmente ela só teve uma temporada…
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