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9 Jun 2010

O adeus de Jack Bauer

“When you first came to CTU…I never thought it was going to be you that was going to cover my back all those years. And I know that everything that you did today was to try to protect me. I know that. Thank you.”

24 Horas foi a primeira série que acompanhei fielmente (junto de Smallville – mas vamos esconder nossos pecados embaixo do tapete, ok?), lá por 2004, quando a Globo exibiu a primeira temporada no mês de janeiro. O horário era meio ingrato, mas pra um estudante que tinha aulas de março a dezembro, era baba. Vibrava com a peripércias de Jack Bauer dublado (por Tata Guarnieri, que fazia muito bem, antes de ser trocado por pedir aumento) na minha TV de 14 polegadas. Me lembro que no dia da season finale, estávamos visitando uns amigos da família, que tinham uma TV de 29. No último ato do episódio, exigi silêncio absoluto, só faltou eu mandar os donos da casa calarem a boca.

E então as trevas. Pra tirar o atraso em relação à exibição americana, a Globo teve a brilhante idéia de exibir o segundo ano nos domingos a noite, durante o ano de 2004. E aqui no RS, a RBS (transmissora do sinal da Globo) ainda exibia DOIS telejornais depois do Fantástico. O episódio começava lá pela 1 da manha. Inviável pra quem acordava às 6 da matina todo santo dia. Um amigo meu até programava o vídeo pra gravar, mas a bagunça que a emissora fez com os  episódios (exibindo os 2 primeiros no mesmo dia, cheio de cortes, problemas no sinal da RBS, etc) me fez praticamente desistir da série. Só fui ver a S2 direitinho em DVD, anos depois.

Os terceiro e quarto anos foram tranquilos, com a Globo voltando ao formato do primeiro ano, de segunda a sexta, no mês de janeiro. Mas eis que em janeiro de 2006, recebi a famosa ligação, sonho de dez entre dez adolescentes espinhentos.

- Senhor, estamos informando que o sinal ADSL chegou na sua rua.

YATAAAAAAAAAA!!!!!!!

Não preciso nem dizer o que foi que eu fiz, né? O sonho de estar apenas dias atrás da exibição original de um seriado era fantástica. Melhor ainda quando a tal série é a quinta temporada de 24 Horas, que era, vamos combinar, fantástica. Uma lembrança forte que tenho dessa época é o tópico sobre a série no Cinema Sem Cena, onde eu e mais um bando de marmanjos ficavamos a semana toda glorificando o episódio da vez. A cada novo gancho (Seria Audrey uma traidora? O MANDANTE ERA O PRESIDENTE?!), eram novos orgasmos coletivos.

E poucos meses depois, pelos primeira vez na história dessa indústria vital,uma série da FOX ganha o  Emmy de melhor drama. Até o momento, o último premiado oriundo da TV aberta (e vendo a safra atual, aposto que vai demorar uns bons anos até uma NBC da vida beliscar o prêmio novamente). Prova (?) de que a galerinha da message board não tava tão errada sobre a qualidade da quinta temporada.

Mais ou menos nesse período foi anunciado a renovação do contrato do Kiefer Sutherland por mais três temporadas. Ele iria ganhar uma bolada por episódio e yada-yada-yada. Fiz um post lá  no tópico da série: “Só espero que nessas próximas três seasons eles não deixem a peteca cair”.

Palavras proféticas.

Pois é, deixaram. A sexta temporada foi uma bagunça, eles gastaram todo o arsenal de ameaças nos primeiros quatro episódios (o que poderia superar uma bomba atômica explodindo em Los Angeles). Ah, teve o Tom Lennox  (Peter MacNicol chutando bundas). Só. Até o Milo eles trouxeram de volta, num ato de desespero (aparentemente  Eric Balfour é o intérprete mais incompreendido da nossa geração,hahaha).

Depois de um hiato forçado de 20 meses graças à greve dos roteiristas, o sétimo ano, agora situado em Washington (mais ainda filmado em Hollywood, nada que um filtro na câmera não resolta). OK, Annie Wersching como Renee Walker foi um achado. E a Cherry Jones é uma monstra, mas tudo relacionado a Tony Almeida não desceu bem. Desde sua ressurreição, passando por sua constante troca de lados (no epísódio 7×20, a trama já estava terminada, quando subitamente Tony fica malvado DENOVO, e lá vamos nós pro último arco da temporada…). E não, Jack Bauer não iria morrer por causa do vírus XYZ.

E chegamos em 2009-10. O último ano do contrato de Sutherland. Mas então os produtores divulgam que “não necessariamente essa será a última temporada”. Ah, vai tomar no cú! Era óbvio que o Kiefer não renovaria sem um gordo aumento, e a audiência decrescente desde o sexto ano, inviabilizaria qualquer aumento exorbitante de custos. Daí vem uma idéia brilhante, vamos introduzir um novo parceiro pro Jack, pra substituí-lo num eventual nono ano. Quem chamam pra fazer o papel? Quem, quem? FREDDIE FRACKING PRINZE JR.

Meu, esse cara é um erro. Não consegue carregar nem um personagem mais funcional do que qualquer coisa, quem dirá sustentar uma série toda. E tem também a personagem da Katee Sackhoff, que é das piores coisas que os roteiristas da série já inventaram. Arco dramático de dar vergonha alheia, etc. Isso que a Starbuck é talentosa. Imagina se tivessem chamado uma porta pra fazer. Equívocos imperdoáveis pra uma série de quase dez anos nas costas.

OK, ok. Lá pelo episódio 15 em diante, a coisa toma uns rumos bem fodas (basicamente uma versão mais hardcore do que de costume do recorrente arco “Jack Bauer versus o mundo”). E Jones e  Itzin (interpretando aqui uma versão humanesca do famoso diabinho que força o personagem indeciso  a cometar cagada atrás de cagada) acabaram por carregar essa season nas costas.  Todo mundo sabe que o Kiefer não é assim um Marlon Brando. Mas com esses dois em cena, nem precisa. Pena que ela se retirou da disputa do Emmy essa ano, pq esse prêmio tava ganho já.

Daí no final de março agora, os produtores anunciam que a série ia acabar mesmo. Depois que já tava tudo escrito! Humpf. Tudo bem que 24 Horas não é uma série que conseguiria fazer uma reunion nos episódios finais (como Lost), mas eu gostaria de ver pelo menos alguns dos poucos personagens importantes que ainda estão vivos (se me dessem Aaron Pierce e Mia, eu já ficaria mais-que-satisfeito). Mais que isso, se os produtores soubessem lá atrás que o fim seria esse ano, eles poderiam formatar melhor a temporada, e eu não precisaria ver Dana Walsh enfrentando os fantasmas do seu passado (insira som de vômito aqui).

A volta de Logan, a dark turn de Taylor, já tava tudo encaminhado. A única coisa que eu acredito que foi escrito depois da confirmação do cancelamento foi o diálogo final entre Chloe e Jack. Ah, o diálogo final entre Chloe e Jack. Escorreu lagriminha, hein. E olha que eu sou morto por dentro,e nem Lost me fez ficar assim. O’Brien, a personagem regular (fora Jack) que ficou mais tempo na série (desde a terceira temporada ou -  na timeline da série – uns 10 anos desde o Day 3), o anjo da guarda de Jack ganha o derradeiro obrigado de seu querido amigo.

Snif, snif. E quem venha a franquia cinematográfica meia-boca!

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