Archive for the ‘Lost’ Category
You are currently browsing the archives for the Lost category.
You are currently browsing the archives for the Lost category.
Sempre fui um dos maiores defensores dos flashbacks em Lost. Eles são a oportunidade perfeita para escaparmos provisoriamente da ilha e conhecermos melhor os personagens, afinal – repito pela 859.207ª vez – a série é sobre eles, e não sobre monstros de fumaça. Mas os tais flashbacks nunca foram atirados de qualquer maneira. Eles, além de sempre trazerem informações novas sobre os sobreviventes, possuíam uma conexão quase orgânica com os acontecimentos da ilha. Exemplos não faltam: Sawyer aplicando um golpe na sua ex-namorada enquanto fazia o mesmo em tempo real (The Long Con), Sayid admitindo a possibilidade de torturar alguém enquanto vemos que ele foi obrigado a fazer isso na Guerra do Golfo (One of Them), Locke dominando como ninguém o modus-operandi da ilha, por ser o primeiro a descobrir que ela é bem mais que um pedaço de terra cercado de água por todos os lados (Walkabout), entre muitos outros.
E chegamos à quarta temporada. E infelizmente os roteiros têm falhado em construir essa parte tão importante de Lost. É novidade pra alguém que Sawyer, apesar de um golpista, possuiu lá no fundo um bom coração? E eu já sei que Kate, mesmo sendo fugitiva, já tentara levar uma vida normal desde o terceiro episódio da série.
O único dos personagens que teve um flashback realmente interessante nesse arco inicial de temporada foi Locke – uma comunidade hippie que planta maconha às escondidas tem tudo a ver com ele, e quem não acha deveria rever toda a série. Isso sem contar a seqüência de sonho/alucinação que foi brilhantemente dirigida. E o personagem ainda tem o flashback mais antecipado de todos: como ele ficou paralítico?
Aonde eu quero chegar é…Lost caiu na sua própria armadilha. Com um número enorme de personagens e duas ou três subtramas diferentes, fica realmente difícil de engolir flashbacks que não acrescentam nada atropelando os episódios. E isso acaba fazendo com que justamente menos personagens apareçam – pra ter uma idéia, Sun e Jin apareceram apenas em um episódio desse arco inicial. Isso pode até ser bom pro departamento financeiro (menos atores a cada semana = menores gastos com cachês), mas do ponto de vista artístico isso é terrível. Será que fazer pelo menos um episódio focado no presente iria matar os produtores? Daí até teria como comparar, já que todas as manifestações à esse respeito estão dentro do campo das suposições.
Felizmente, a série se renova parcialmente todos os anos. E vamos ter pelo menos três estreantes como “protagonistas de episódio”: Ben, Juliet (que abrirá a segunda parte da temporada) e Paulo/Nikki (que provavelmente ganharão um flashback no estilo de Maternity Leave e Three Minutes, mostrando o que eles estavam fazendo desde que o avião caiu). Só espero que eles não morram logo…
PS: o cliffhanger do sexto episódio conseguiu me deixar tenso e curioso, o que é uma coisa boa, visto que ele é meio bobinho. Se bem que todos os ganchos tendem a parecem idiotas depois daquela que é a melhor cena final de temporada de todos os tempos. (Câmera descendo escotilha adentro? Alguém?).
“Don’t tell me what I can’t do!”
Personagem: John Locke
Interpretado por: Terry O’Quinn
Série: Lost
Emissora: ABC (EUA); AXN e Rede Globo (Brasil)
Com a explosão de Lost, O’Quinn passou do anonimato ao estrelato. Seu personagem, John Locke é o mais interessante da série. Talvez a explicação disso sejam as transformações sofridas por ele. Curado de uma paralisia no começo da série, Locke é mostrado como um exímio conhecedor do que acontece ao seu redor. Em um período de poucas explicações, ele parece ser o que mais sabe sobre a natureza da ilha. Com o passar dos episódios, vê-se que ele não sabe tanto quanto se pensava.
Seu trabalho na série está cheio de momentos memoráveis. Quem não se lembra dele se levantando dos destroços do avião em Walkabout? Ou então, quem não ficou tocado com seu fúria contra a ilha, por ter matado Boone em Deus Ex-Machina? Seu momento de maior brilho na segunda temporada foi a decepção de descobrir que a Escotilha Pérola não passa de um posto de observação em ?. É possível ver a tristeza de seu personagem em seus olhos, em seus trejeitos. Poucos atores em atividade possuem tamanho talento.
Em outro dos surtos psicóticos dos votantes do Emmy, O’Quinn foi deixado de fora da lista de atores coadjuvantes esse ano. O problema é deles.