#09 The Closer (James Duff, TNT, 2005-)
Essa minha lista já abordou diversos gêneros: sitcoms, dramas históricos, séries teen. Mas qualquer um que for fazer uma pesquisa mais a fundo na produção televisiva dos anos 00 vai notar que um dos gêneros mais importantes do período são as séries de procedimento policiais.
O gênero foi a mola propulsora de uma das movimentações mais importantes da TV americana: a perda da liderança da audiência da NBC para a CBS. Tudo começou com CSI, e hoje, fatia considerável da programação do canal está tomada por variações da ex-série de Gil Grisson.
Não posso negar que CSI me divertiu muito durante minhas noites sem internet decente nos primeiros anos da década. E os episódios que assisti na minha era online (como o do Tarantino e o com o Ron Moore) são nada menos do que excelentes, mas calhou de não ser essa a série de procedimento que eu adotei pra mim.
A série do gênero que vi de cabo a rabo acabou sendo The Closer. E não me arrependo em nada. Por se tratar de um programa de TV por assinatura, os episódios podiam se aprofundar mais nos aspectos psicológicos dos suspeitos. Poucas séries me causaram o efeito de resignação que eu senti vendo a primeira temporada de TC. Cara, como o cerumano pode ser um filho da puta. Brenda Johnson me fez perder um bom naco da minha fé no homo sapiens. Continue lendo este post »
#10 How I Met Your Mother (Carter Bays e Craig Thomas, CBS, 2004-)
HYMYM, ao invés de abraçar uma nova estética de sitcom, subverte o modelo já existente.
Aqui temos o formato tradicional, com risadas, dois ou três cenários principais e um grupo de cinco personagens. Mas o que eles fizeram com isso foi de outro mundo.
Um dos argumentos mais fáceis que pode ser usado pra convencer alguém a ver o programa é o famoso “é o novo Friends“. A meia dúzia de amigos morando em Nova York está lá, mas a estrutura dos roteiros lembra séries mais transgressoras, como Seinfeld. Flashbacks e uso de várias cronologias e pontos de vista são comuns. E tudo isso a favor do humor.
E a turma de amigos? Ted e Robin não são graaaandes personagens, ou até mesmo grandes comediantes. Mas os outros três compensam. Lilly e Marshall são o típico casal fofura, além de provocarem boas risadas com seu relacionamento (as recentes incursões de Marshall em viagens no tempo [!] são a prova disso).
Já Barney merece um parágrafo só pra ele, né? O perigote das mulheres reúne todas as boas características que um personagem inesquecível de sitcom deve ter, incluindo até o seu repertório próprio de bordões. Ninguém ganha o Jerry duas vezes seguidas a toa. Continue lendo este post »
#11 Friday Night Lights (Jason Katims, NBC/The 101, 2006-)

Se Buffy e Veronica Mars representam o ‘lado witty’ das séries teens da década. FNL fica com o coração. E com olhos abertos e corações cheios, não podemos perder.
É difícil pra caramba definir FNL. É uma série teen, mas cenas dentro da escola não são muito comuns. A série é sobre uma cidade pequena, que funciona em função de seu time de futebol colegial e a pressão que isso exerce sobre os seus personagens principais. E que pressão: quem em algum momento não se emocionou com Landry, Smash, Tyra, Matt, Tami, Julie e todos os outros habitantes de Dillon?
Não é necessário nenhum conhecimento sobre futebol. Mas você precisa entender porque o raio do esporte é tão importante praquelas pessoas.
E poucos casais soam tão reais e apaixonantes quanto Tami e Eric (ok, essa lista cita mais alguns – mas é que estamos falando justamente das melhores nesse departamento).
#12 The Office (Greg Daniels, NBC, 2005-)

The Office, além de ter um texto primoroso e uma das atuações mais brilhantes da década, conseguiu quebrar uma série de tabus:
1) Remakes são sempre porcarias – essa maldição dos remakes, que é ainda mais forte na TV do que no cinema, teve um gostinho a mais, já que a versão inglesa do The Office é ainda mais adorada que essa aqui (eu francamente não achei grandes coisa quando conferi pela primeira vez, mas tenha ela preparadinha aqui pra tentar mais uma vez).
Mais que isso – a versão americana (até pela sua extensão) enveredou para caminhos que Gervais e Merchant nem sonhavam. Os personagens secundários ganharam mais profundidade e um sem número de situações novas foram introduzidas.
2) O casal ‘chove não molha’ perde toda a graça quando finalmente fica junto, isso quando não a arrasta a série toda pro buraco – nem preciso falar muita coisa, né? PB & J são dos casais mais adoráveis que já passaram por uma série de televisão, e eles não perderam um pingo da graça agora que estão casados. E se seus correspondentes ingleses não viveram felizes para sempre, não consigo imaginar Greg Daniels usando o mesmo expediente. Continue lendo este post »
#13 Mad Men (Matthew Weiner, AMC, 2007-)
Matt Weiner conseguiu fazer a obra audiovisual definitiva sobre os anos 60 (nos EUA). Da transição do baby boom pós segunda guerra para o flower power nos anos 70 (o criador já avisou que quer que a série termine na virada da década).
Ele resolveu escolher uma área em específico (a publicidade, que passou por grandes transformações no período) para situar a série, mas todos os grandes movimentos políticos e sociais são abordados através da Sterling & Cooper.
E pra nos guiar nesse passeio, foi criado um personagem que, apesar de ter uma personalidade forte, não sabemos muito bem quem é. Não é a toa que (1) a imagem promocional da série seja a nuca de Don Draper e que (2) um dos pontos altos da série até o momento foi quando sua esposa descobre a verdade sobre a sua identidade.
Mad Men ainda conseguiu um outro trunfo: provar de uma vez por todas que existe vida inteligente na TV por assinatura fora dos domínios da HBO. Já são dois prêmios Emmy. E o terceiro está a caminho, a julgar pelo cenário.
#14 Six Feet Under (Alan Ball, HBO, 2001-2005)
Se os Bluth são a família mais disfuncional da televisão para a comédia, os Fisher o são para o drama. Não que A Sete Palmos, não tenha seus momentos de humor negro (algumas das mortes que iniciam os episódios são engraçadíssimas – como a vítima de suicídio auto-erótico). Mas de uma maneira geral, a série faz reflexões não muito otimistas sobre a vida e a morte.
O elenco é estelar: Hall, Krause, Conroy, Ambrose e Jenkins, como o pai morto no episódio (e suas aparições como fantasma no decorrer da série são de fazer os roteiristas de Dexter chorarem de vergonha).
True Blood é simpática e tal, mas sempre que assisto um novo episódio da saga dos vampiros sulistas, tento evitar comparação com a sua primeira investida em televisão, pois a disputa é desleal.
E não preciso nem falar sobre os minutos finais completamente ATERRADORES, de fazer você ficar batendo com a cabeça com a parede por uns 40 minutos. E isso que não é um final intrisicamente triste. Um desfecho a altura desta grande série.
#15 Arrested Development (Mitchell Hurwitz, Fox, 2002-2005)
Um dos méritos de Seinfeld, li alguém dizendo em algum lugar (cavalca sempre com a informação PRECISA! – quero ver eu fazendo o TCC), era o lema do ‘no hugging, no learning’. Apesar do comportamento dos personagens refletir situações do dia-a-dia, não havia ‘drama’, chororô, essas coisas. Afinal de contas, trata-se de uma comédia.
O mesmo princípio pode ser aplicado a Arrested Development, com uma grande vantagem. O formato é mais solto, não se prendendo a estética da sitcom. O resultado é um seriado ainda mais anárquico, onde um dos principais elemento é a participação ativa do narrador (a maior herança que Ron Howard vai deixar para as gerações futuras).
Nenhuma família é tão disfuncional quanto os Bluth, para a nossa alegria.
#16 24 Horas (Joel Surnow e Robert Cochran, Fox, 2001-)
Hoje em dia é muito fácil apontar os defeitos de 24 Horas e dar risada deles. Mas quando o programa estreiou (meras semanas depois do 11 de setembro), o formato era inovador. E a coisa ficava ainda melhor quando eles faziam comentários políticos (como nas excepcionais 2a e 5a temporadas).
Com o passar dos anos, Jack Bauer se tornou uma caricatura de si mesmo (o vídeo acima é um hilário exemplo disso – espero até hoje uma variação com o WHO ARE YOU WORKING FROM!?), além das tramas serem cada vez menos verossímeis. Mas eu desenvolvi um método quase infalível pra esse probleminha: ver os episódios em maratona. A série se torna muito melhor quando não analisamos cada episódio individualmente e somos levados pela adrenalina.
#17 Deadwood (David Milch, HBO, 2004-2006)
É meio difícil escrever sobre Deadwood, já que faz uns 3 anos que assisti a série, mas vamos lá.
Ian MacShane GÊNIO. Sério, a interpretação do cara é magnética. Parece impossível construir um personagem complexo quando a maioria dos diálogos é composta de pelo menos um palavrão. Mas ele consegue.
Eu asisti Deadwood antes de outros clássicos da HBO, provavelmente por estar naquela fase de assistir os western spaghettis do Leone. E bom, Deadwood não fica atrás. E isso é dizer alguma coisa.
“(…)mas a série de mulherzinha é maravilhosa. Todo o universo concebido pelos Palladino é incrível (algum chato pode reclamar que um bad-boy-revoltado ser um leitor voraz não tem um pingo de verossimilhança, mas a graça é justamente que em Stars Hollow isso acontece) e apaixonante.

