#14 Six Feet Under (Alan Ball, HBO, 2001-2005)
Se os Bluth são a família mais disfuncional da televisão para a comédia, os Fisher o são para o drama. Não que A Sete Palmos, não tenha seus momentos de humor negro (algumas das mortes que iniciam os episódios são engraçadíssimas – como a vítima de suicídio auto-erótico). Mas de uma maneira geral, a série faz reflexões não muito otimistas sobre a vida e a morte.
O elenco é estelar: Hall, Krause, Conroy, Ambrose e Jenkins, como o pai morto no episódio (e suas aparições como fantasma no decorrer da série são de fazer os roteiristas de Dexter chorarem de vergonha).
True Blood é simpática e tal, mas sempre que assisto um novo episódio da saga dos vampiros sulistas, tento evitar comparação com a sua primeira investida em televisão, pois a disputa é desleal.
E não preciso nem falar sobre os minutos finais completamente ATERRADORES, de fazer você ficar batendo com a cabeça com a parede por uns 40 minutos. E isso que não é um final intrisicamente triste. Um desfecho a altura desta grande série.
#15 Arrested Development (Mitchell Hurwitz, Fox, 2002-2005)
Um dos méritos de Seinfeld, li alguém dizendo em algum lugar (cavalca sempre com a informação PRECISA! – quero ver eu fazendo o TCC), era o lema do ‘no hugging, no learning’. Apesar do comportamento dos personagens refletir situações do dia-a-dia, não havia ‘drama’, chororô, essas coisas. Afinal de contas, trata-se de uma comédia.
O mesmo princípio pode ser aplicado a Arrested Development, com uma grande vantagem. O formato é mais solto, não se prendendo a estética da sitcom. O resultado é um seriado ainda mais anárquico, onde um dos principais elemento é a participação ativa do narrador (a maior herança que Ron Howard vai deixar para as gerações futuras).
Nenhuma família é tão disfuncional quanto os Bluth, para a nossa alegria.
#16 24 Horas (Joel Surnow e Robert Cochran, Fox, 2001-)
Hoje em dia é muito fácil apontar os defeitos de 24 Horas e dar risada deles. Mas quando o programa estreiou (meras semanas depois do 11 de setembro), o formato era inovador. E a coisa ficava ainda melhor quando eles faziam comentários políticos (como nas excepcionais 2a e 5a temporadas).
Com o passar dos anos, Jack Bauer se tornou uma caricatura de si mesmo (o vídeo acima é um hilário exemplo disso – espero até hoje uma variação com o WHO ARE YOU WORKING FROM!?), além das tramas serem cada vez menos verossímeis. Mas eu desenvolvi um método quase infalível pra esse probleminha: ver os episódios em maratona. A série se torna muito melhor quando não analisamos cada episódio individualmente e somos levados pela adrenalina.
#17 Deadwood (David Milch, HBO, 2004-2006)
É meio difícil escrever sobre Deadwood, já que faz uns 3 anos que assisti a série, mas vamos lá.
Ian MacShane GÊNIO. Sério, a interpretação do cara é magnética. Parece impossível construir um personagem complexo quando a maioria dos diálogos é composta de pelo menos um palavrão. Mas ele consegue.
Eu asisti Deadwood antes de outros clássicos da HBO, provavelmente por estar naquela fase de assistir os western spaghettis do Leone. E bom, Deadwood não fica atrás. E isso é dizer alguma coisa.
#19 The Shield (Shawn Ryan, FX, 2002-2008)
Em discussão com o Felipe, sobre a lista dele de melhores da década, ele justificou a inclusão de Dexter dizendo que se tratava de um exemplar dos protagonistas anti-heróis que pintaram e bordaram nesses últimos anos.
Mas eu acredito que um exemplar mais justo seria Vic Mackey, já que ao contrário de House e Dexter, que se tornaram mais ‘humanos’ (ugh) com o passar das temporadas, Vic continuou essencialmente um filho da puta até o último episódio da série.
Tudo bem que ele não repetiu a atidude do piloto, quando ele matou um dos membros de sua equipe pela simples suspeita de que ele fosse um espião da corregedoria. Mas mesmo quando ele quis jogar limpo (mais ou menos a partir da metade da série), eles continou a usar de métodos escusos justamente para tentar limpar a caca que ele havia feito nos primeiros anos. O resto fica por conta do efeito bola de neve.
E se o pessoal fica boquiaberto quando o antagonista de uma série mata um dos protagonista, o que você acha quando um dos protagonistas mata outro dos personagens principais a sangue frio? Ainda bem que nem todos são humanos. Continue lendo este post »
#20 Buffy, The Vampire Slayer (Joss Whedon, WB/UPN, 1997-2003)
Se é pra desrespeitar as regras, que seja no início, certo?
Acontece que Buffy se encontra bem no meio do caminho no que diz respeito ao período de exibição, já que cada uma das metades da série se coloca em uma década. E apesar da primeira metade conter as temporadas que se tornaram mais clássicas, eu gosto muito mais da perna final do programa.
É lá que estão alguns dos melhores episódios, como Restless, The Body e Once More, With Feeling (Hush não entrou por pouco!), além da melhor temporada de todas, a sexta, que deve ser uma das coisas mais deprê já feitas na TV. Cara, é muita merda jogada no ventilador. O Whedon chega ao cúmulo de (SPOILER GIGANTESCO ATÉ O FINAL DO PARÁGRAFO incluir nos créditos iniciais um personagem que foi recorrente por uns 3 anos para matá-lo no final do mesmo episódio. Isso que é humor negro. Continue lendo este post »
Top 20 – Melhores Séries da década
Critérios – seriados que tiveram a maior parte de seus episódios exibidos nessa década podem entrar, já que não faz sentido eliminar seriados que não concorreriam em listas da década anterior, já que começaram em 99, etc.
Uma palavra que pode ser usada para reunir uma lista de programas tão distintos entre si é regularidade. Porque não acho justo premiar (mesmo que o prêmio seja uma menção num blog chumbrega de um nerd que vive no terceiro mundo) uma série que, por mais brilhante que tenha sido por um certo período (e os dois primeiros boxes de House na minha estante não me deixam mentir), é injusto com os showrunners que seguraram o rojão com habilidade durante anos.
Isso significa que: (1) com exceção de uma ou duas exceções pontuais, as séries da lista duraram mais que uma ou duas temporadas. (2) série que hoje tem apenas uma ou duas temporadas foram escanteadas, por causa do critério explicado acima.
Nos próximos minutos, a primeira pérola.
[SPOILER] Finale de Dexter – não vi e não gostei
Pessoal tá dizendo que a temporada, e mais especificamente a finale desta quarta temporada de Dexter descobriu a cura do câncer, sendo que o principal atributo foi o twist ‘fantástico’ nos minutos finai. Eu li aquilo e pensei – cara, não é a mesma coisa que usaram no final da primeira temporada de 24 Horas lá em DOIS MIL E DOIS?
Claro, claro. São séries diferentes em circunstâncias diferentes. Podem argumentar que Dexter tem um ator muito talentoso e um personagem muito mais complexo do que 24 Horas, o que é verdade. Mas é verdade também que pra uma série que quer explorar as idiossincrasias de um assassino serial, o roteiro é bem mambembe, e já faz algum tempo.
OK, depois de assistir The West Wing, The Wire e outras coisas, eu me tornei um chato. Mas vai dizer que colocar o fantasma do pai do protagonista pra dar lições de humanidade, moral e cívica é uma das muletas narrativas mais irritantes dos últimos anos? Sem falar em outra questão que passa quase despercida do público – Dexter tornou-se uma moça com sua work ethic. Continue lendo este post »
review battlestar galactica – Daybreak, Parte 2 (4×20-21)
Escrito pelo cabeludo da foto ao lado. Dirigido por Michael Rymer.
“I see angels, angels in this very room. Now I may be mad, but that doesn’t mean that I’m not right, because there’s another force at work here. There always has been. It’s undeniable. We’ve all experienced it. Everyone in this room has witnessed events that they can’t fathom, let alone explain away by rational means. Puzzles deciphered in prophecy. Dreams given to a chosen few. Our loved ones dead. Risen. Whether we wanna call that “God” or “Gods” or some sublime inspiration or a divine force that we can’t know or understand, It doesn’t matter, it doesn’t matter. It’s here. It exists. And our two destines are entwined in its force.” -Gaius Baltar
Alguns anos atrás (acho que na estréia da 3ª temporada) fiz um Spoiler Zone para o Teleséries sobre Battlestar Galactica. Nos comentários, alguém perguntou por que eu não me tornava colunista titular da série, já que eu aparentemente gostava tanto do programa. Respondi que não me sentia confiante o suficiente pra destrinchar todos os aspectos filosóficos/metafóricos do show. Hoje em dia eu confio muito mais no meu taco, mas mesmo assim, recomendo fortemente a leitura dos textos do Sepinwall e da Mo Ryan (que é uma graça – quebrou o embargo pra me disse via twiiter [em português!] que havia adorado a primeira metade do episódio), já que não sou muito do tipo de ficar discutindo conjecturas e o sexo dos anjos.
Isso nos leva ao post do blog que o Ron Moore mantinha no site do Sci-Fi Channel, onde ele baba o ovo do David Chase pela series finale de Sopranos, e que ele gostaria de ter pensado na idéia antes (e mesmo que ele tivesse pensado, a série do Chase terminou antes – perdeu preibói). Ou seja, por mais que a resolução tenha sido satisfatória do ponto de vista dos personagens (sabemos o que aconteceu com quase todo mundo), claramente ele quis deixar algumas lacunas. Você pode preenchê-las com a idéia de Deus/alguma manifestação divina/destino/whatever ou ficar de #mimimi dizendo que o cara trapaceou e não fechou todas as pontas. Eu fico com a primeira opção. Continue lendo este post »
“(…)mas a série de mulherzinha é maravilhosa. Todo o universo concebido pelos Palladino é incrível (algum chato pode reclamar que um bad-boy-revoltado ser um leitor voraz não tem um pingo de verossimilhança, mas a graça é justamente que em Stars Hollow isso acontece) e apaixonante.

